FEBRE DE BURRO
FEBRE DE BURRO, performance de Rui Paixão recupera o espírito itinerante das artes de rua: ir de aldeia em aldeia, transformar o quotidiano em palco e dar voz à memória auditiva e visual recolhida durante várias semanas de residência artística no território de Miranda do Douro.
A Floresta
Um conjunto de matérias dissonantes coabita na descoberta, no (des)encaixe, no estar, em relação, em bando, em dança.
Criamos um objecto artístico contemporâneo que convoca adolescentes e adultos para o legado da tradição – entre mundos paralelos e lugares seguros, bruxas e bichos, casamentos e enterros, mapas e paisagens, realismo e surrealismo. Cruzamos universos eruditos, populares e actuais.
Esta Floresta que somos, esta diversidade de tempos, contornos, texturas… nossas. Mas eles são como nós, querem ser como nós, serão como nós, só que com outro verniz, outra banda sonora, outro olhar. Que bom.
Afinal, o que importa mais? Que a tradição dialogue com a passagem do tempo ou que seja recebida, ainda que com desinteresse, pela sua voracidade?
Condomínio
PROJETO EM FASE DE CRIAÇÃO, COM ESTREIA EM ABRIL DE 2026
Não há separação entre o céu e a terra. Como não há fronteira, nem sequer entre o lado de cá y el lado d’alhá. Um planalto que é como o quadro sonhado por Duchamp: não tem nem face, nem reverso, nem alto, nem baixo. Um condomínio, portanto: ao mesmo tempo companhia, concomitância, simultaneidade.
Com.
(Do diário de Miranda do Douro, maio de 2025)
Topografia do Sonho
PROJETO EM FASE DE CRIAÇÃO, COM ESTREIA EM MONTALEGRE EM DEZEMBRO DE 2026
Espetáculo feito com adolescentes de Montalegre e Miranda do Douro, e parte do projeto maior Rota do Sentir. Um manifesto do mal-estar juvenil que explora a tensão entre o devir adolescente e o dever, ou a depressão anunciada entre o desejo e a eficácia. Enquadrado na paisagem dos Parques Naturais de Peneda Gerês e Montesinho, o projeto tem como eixo a relação homónima entre duas naturezas: a “natural”, associada à paisagem, e a humana.
Mercado das Madrugadas
Imagina que é dia 24 de abril de 1974 e que estás vestido de azul, quando deverias estar vestido de vermelho, e que estás farto! E que não vês saída! E que não vês futuro! (…)
Imagina que no dia 24 de Abril de 74, te encontras com o teu amigo (…) e que passas a tarde a maldizer a vida e esta merda de país e de ditadura o teu amigo te diz:
– Sabes o que era bom? Amanhã acordávamos e tudo tinha mudado!
E o amanhã chegou e tudo tinha mudado!
No Corpo: Assim se Conhece o Mundo
“O que poderá o saber humano
fazer para restaurar o seu mutilado sentido?”
Cordelia, em O Rei Lear, William Shakespeare
Mal se entra, começa-se. Mal se sai, ainda não acabou.
Percorrer um espetáculo de Vânia Rovisco é como desatar a correr em todas as direções e encontrar num poro de pele o universo inteiro.